Mortes por terremoto e tsunami no Japão passam de 8.200
A Polícia Nacional anunciou neste domingo que o número de mortes confirmadas pelo terremoto e posterior tsunami que atingiram o Japão no último dia 11 chegou a 8.277, em 12 províncias. Outras 12.722 pessoas estão desaparecidas em seis prefeituras, segundo o balanço divulgado às 18h (6h em Brasília).
Mais de uma semana após a tragédia, cerca de 355.000 pessoas continuam em abrigos improvisados em 15 províncias, incluindo Tóquio.
Este número inclui, segundo a agência de notícias Kyodo, 20 mil moradores de áreas próximas à usina nuclear de Fukushima Daiichi, retirados diante do vazamento de radiação. Eles foram levados para sete outras prefeituras, entre elas Niigata, Yamagata e Tochigi.
"Os corpos levados pelo tsunami serão recuperados aos milhares todos os dias a partir de agora", disse o chefe de polícia de Miyagi, Naoto Takeuchi.
Na cidade de Otsuchi, em Iwate, o prefeito Koki Kato foi encontrado morto neste sábado. Ele estava desaparecido desde o tsunami, quando realizava uma reunião de emergência.
Segundo a Kyodo, o número de vítimas é tão grande que os crematórios nas áreas atingidas pelo desastre não conseguem atender a demanda. Algumas prefeituras, Higashimatsushima, em Miyagi, estão permitindo enterros sem os procedimentos de higiene padrão.
CRISE NUCLEAR
Além dos esforços das equipes de resgate para encontrar sobreviventes e corpos, o governo japonês enfrenta a crise nuclear em Fukushima, onde os sistemas de refrigeração dos reatores foram danificados pelo tremor.
Neste domingo, um inesperado aumento na pressão dentro do reator 3 preocupou as autoridades japonesas, que comemoravam a estabilidade nos reatores após vários dias de uma operação de lançamento de água do mar para conter o superaquecimento da usina.
O aumento da pressão no reator pode forçar os operadores a liberar gás com material radioativo, prolongando a crise nuclear gerada pelos danos ao sistema de resfriamento da usina de Fukushima Daichii, atingida pelo terremoto de magnitude 9 do último dia 11.
A mudança na pressão foi registrada após uma operação de mais de 13 horas, encerrada às 3h40 deste domingo (15h40 de sábado em Brasília), na qual os bombeiros lançaram toneladas de água na piscina de combustível nuclear usado do reator.
O objetivo primário desta operação é impedir qualquer vazamento massivo de materiais radioativos da piscina que abriga o combustível usado para o ar. O aumento da temperatura da água desta piscina, normalmente de 40ºC, faz com que a água se dissipe e exponha as varetas de combustível nuclear usado. Sem o líquido, que as isola do exterior, elas ficam então suscetíveis às altas temperaturas e podem derreter. No pior dos cenários, podem liberar material altamente radioativo
Segundo a agência de notícias Kyodo, mais de 2.000 toneladas de água foram lançadas no reator 3, superando a capacidade da piscina de 1.400 toneladas --um sinal de que a água continuaria a ferver e se transformar em vapor (o que aumentaria a pressão interna). O reator 3, contudo, é o único com um sistema misto de plutônio e urânio, que é mais difícil de controlar do que o sistema comum de urânio.
A agência de segurança nuclear do Japão disse que a pressão na câmara de contenção do reator 3 está aumentando na manhã deste domingo e que é necessário agir para contê-la. A operadora da usina, Tokyo Electric Powe Co., disse mais tarde que não agiria imediatamente, já que a pressão sinalizava estar estável.
O secretário de Gabinete do governo, Yukio Edano, disse em entrevista a jornalistas que sempre há reviravoltas neste tipo de operação. 'Haveria viradas e reviravoltas mesmo se o processo de manter a estabilidade e melhorar a situação fosse tranquilo', disse Edano, minimizando a notícia do aumento da pressão.
Tremor de 4,4 graus atinge Colômbia e gera pânico na população
Bogotá, 20 mar (EFE).- Um tremor de 4,4 graus de magnitude na escala Richter foi sentido na manhã deste domingo em várias cidades do oeste da Colômbia e provocou pânico entre muitos cidadãos pelo recente terremoto no Japão, embora não tenha deixado vítimas nem causado danos.
Segundo o relatório da Rede Sismológica Nacional, o abalo aconteceu às 8h39 do horário local (10h39 de Brasília), com o epicentro localizado a 14 quilômetros do município de El Cairo, no departamento de Valle del Cauca (sudoeste), e uma profundidade de 97,7 quilômetros.
O tremor foi sentido em várias cidades de Valle del Cauca, entre elas Cali, a capital, e em outras dos departamentos de Risaralda, Quindío, Caldas e Chocó, todos no oeste do país.
Embora não tenham sido registrados vítimas nem danos materiais, muitos habitantes dessas regiões entraram em pânico e congestionaram as linhas telefônicas dos órgãos de socorro por temor que pudesse ser um terremoto similar ao de 11 de março no Japão, que foi de 9 graus Richter.
Gaddafi arma população e volta a atacar reduto de rebeldes na Líbia
Um dia após o início da ofensiva internacional na Líbia, o ditador Muammar Gaddafi começou uma operação para distribuir armas a mais de um milhão de pessoas, segundo informações da agência Reuters.
Citando fontes no Ministério da Defesa líbio, que disse que eles "esperam que a operação termine nas próximas horas para armar mais de um milhão de homens e mulheres".
Ontem, Gaddafi disse que armaria os civis para defender a Líbia do que ele chamou de agressão "cruzada colonial" por forças ocidentais que lançaram ataques aéreos contra ele.
"É necessário agora abrir os armazéns e armar toda a massa com todos os tipos de armas, para defender a independência, a unidade e a honra da Líbia", disse Gaddafi em discurso transmitido pela televisão estatal após o início dos ataques.
"Chamo os povos e os cidadãos dos países árabes, islâmicos, da América Latina, da Ásia e da África a apoiarem o heróico povo líbio na confrontação contra essa agressão, que só vai aumentar a força, firmeza e unidade do povo líbio."
Ele também disse que o Mediterrâneo e o norte da África são agora um campo de batalha, e que os interesses de países na região estarão em perigo de agora em diante.
Além de armar a população, as tropas leais ao ditador continuam atacando cidades que ainda são controladas por rebeldes, como é o caso de Misrata.
Neste domingo (20), vários carros de combate das tropas de Gaddafi ocuparam o centro da cidade, localizada a 150 quilômetros a leste de Trípoli, a capital líbia, segundo a rede de televisão "Al Jazeera".
Abdel Basset Abou Marzouk, nomeado porta-voz dos jovens da revolução de 17 de fevereiro, assinalou à emissora do Qatar que as forças pró-Gaddafi lançaram projéteis de grande calibre para cobrir a incursão dos blindados.
"As tropas de Gaddafi utilizam a estratégia da terra queimada destruindo tudo o que encontram em sua passagem", afirmou o porta-voz.
Segundo ele, além dos blindados, franco-atiradores se posicionaram sobre os telhados de vários edifícios e disparam no que se movimenta.
Há dias a cidade de Misrata é palco de intensos combates entre as tropas leais a Gaddafi que buscam tomar a vila e os opositores do ditador.
"Há combates entre os rebeldes e as forças de Gaddafi. Seus tanques estão no centro de Misrata", disse Abdelbasset, porta-voz dos rebeldes, por telefone à Reuters. "Há tantas vítimas que nós não podemos contá-las. Ele (Gaddafi) está usando uma estratégia de terra queimada. Queimando e destruindo tudo em seu caminho", completou.
Era impossível verificar o número de mortos em Misrata porque as autoridades líbias impediam que jornalistas chegassem à cidade.
Em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, considerada o principal reduto dos opositores do regime de Gaddafi, mais de 90 pessoas morreram nos combates ocorridos na sexta-feira e no sábado durante a ofensiva das tropas pró-Gaddafi contra os insurgentes, segundo fontes médicas.
Seif Kadhaf, um dos filhos de Gaddafi, disse que os ataques contra a Líbia são resultado de "um grande mal-entendido" sobre a situação política do país. Em entrevista neste domingo à emissora americana ABC, ele ainda se disse "surpreso" pela ofensiva aliada.