A fonte da juventude pode estar mais perto do que você imagina: no seu prato! Entenda o papel da alimentação no processo de envelhecimento
Ao que parece, os pesquisadores descobriram o segredo da longevidade.Foram décadas de estudos, muitos deles analisaram o comportamentode ratinhos em dieta no laboratório, para concluir o que o nosso inconsciente já sabia: que a porta para a vida longa é também a porta do nosso corpo: a boca!
Só que, dessa vez, além da qualidade do alimento, controlar a quantidadedo que você ingere é fundamental se você pretende viver mais. É o queeles chamam de Restrição Calórica (RC). Isso porque eles acreditam quepode existir um número limite de calorias que o organismo pode queimar ao longo da vida e que, sendo assim, comer menos a cada dia possibilitaviver mais dias até atingir esse limite.
Para descobrir a quantidade de calorias e nutrientes necessários para manter o seu organismo em pleno funcionamento, o médico realiza um cálculo com base na altura, no peso, na idade, no sexo e no nível de atividade física, incluindo atividades do dia a dia, como subir escadas, fazer trabalho doméstico ou passar muito tempo na frente do computador.
Mas o que os pesquisadores da Restrição Calórica sugerem é que, após encontrar esse valor ideal, ainda seja reduzido cerca de 30%.Em outras palavras, vamos supor que uma mulher tenha um limitemáximo de 150 mil calorias para consumir ao longo da vida (isso éapenas um exemplo). Se ela ingerir 2 mil calorias por dia, viveria cerca de75 anos. De acordo com a Restrição Calórica, se ela reduzir 30% da ingestão de calorias por dia (isto é, comer cerca de 1400 cal/dia), poderá viver até os 107 anos!
Porém, reduzir calorias não é algo tão simples, nem tampouco prazeroso.É preciso encontrar o equilíbrio. “Sabemos que o excesso alimentartira anos de vida, pois causa uma sobrecarga no nosso organismo, especialmente no aparelho digestivo”, afirma Waldinez Nogueira, nutricionista da Lapinha Clínica e Spa (PR). A questão é descobrir quantoreduzir para obter os benefícios dessa restrição sem comprometer asaúde. “Existe um mínimo necessário de calorias que cada indivíduo necessita consumir por dia para não ter um quadro de deficiência nutricional”, destaca a nutricionista.
Há outras evidências de que comer menos pode prolongar a vida. Ou,pelo menos, preservar a saúde por mais tempo. Euclésio Bragança,médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira das Empresasde Produtos Nutricionais (Abenutri), em São Paulo, explica quais mecanismospodem acelerar o “enferrujamento da máquina humana”.
Os tais radicais livres
“O mesmo oxigênio, que é vital à nossa sobrevivência, também provoca a liberação dos radicais livres”, constata o médico. Esses radicais livres alteram as células, deixando-as com aspecto de células envelhecidas, que deveriam ser eliminadas pelo organismo. Mas, ao invés disso, elas passam a funcionar de maneira inadequada, alterando suas funções. Marcella Romanelli, nutricionista da Nutricêutica Alimentos Funcionais (SP), explica que essas células podem ter seu código genético alterado. Por isso, podem multiplicar-se desordenadamente, favorecendo o surgimento de tumores, doenças pulmonares, cataratas, entre outros males,além do envelhecimento precoce.
Alimentos ricos em antioxidantes são os mais indicados para combater osradicais livres. “Eles são capazes de se ligar a essas células neutralizandosua ação”, resume. Poluição, uso de alguns medicamentos, fumo, alcoolismoe uma alimentação inadequada também contribuem para aumentar aprodução de radicais livres e acelerar o processo de envelhecimento.
Se você continuar se “abastecendo” com alimentos muito refinados,como pães e massas, gorduras (presentes nos queijos amarelose frituras) e açúcar branco (doces em geral), irá sobrecarregar suasmitocôndrias, estruturas responsáveis por transformar o alimentoem “combustível”. Como produto desse cardápio altamente calórico,você terá uma grande quantidade de glicose (açúcar) circulando na suacorrente sanguínea, o que contribui para desencadear o segundo mecanismoque está diretamente ligado ao processo de envelhecimento.
A ação da insulina
Com o aumento da glicose no sangue, o pâncreas libera insulina, responsável por tirar o açúcar do sangue e distribuir pelas células do corpo.Quando aumenta a liberação de insulina, aumenta também o acúmulo degordura corporal, que pode levar ao sobrepeso e à obesidade. O problemase agrava quando a insulina não consegue mais realizar o seu trabalho,causando ainda mais prejuízos para o corpo. É a resistência à insulina um dos mecanismos do diabetes tipo 2.
Interrompendo o ciclo
Educação é a base para a promoção da saúde, e é melhor ainda quando começa desde cedo em casa. “Somente atacando o problema pelaraiz podemos poupar o organismo das doenças crônico-degenerativasque afetam coração, vasos sanguíneos, rins, olhos, nervos e articulações”,resume o médico.
Fonte: Revista Vitta/ed.1